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Tenho visto uma coisa engraçada acontecendo com o fenômeno do livro 50 Tons e que acho também um tanto triste, tragicômico. Uma oportunidade perdida eu diria.

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Ao invés de aproveitarem o livro como algo que abrisse suas cabeças para uma vida sexual mais interessante, selvagem e divertida, uma parte das leitoras dedica-se a cultuar o livro em si: cultuam a autora, seus personagens e os atores que os interpretarão no cinema.

Meninas apaixonadas pelo ator escrevendo declarações exageradas mostram que a atitude nerd em relação à arte pode tirar o que ela tem de melhor para nos oferecer.

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Ao invés de sair por aí transando mais, criando mais, se libertando mais, elas se mantém numa posição de cultuar a ficção como ficção, como se aquilo nada tivesse a ver com suas vidas. Envolvem-se num mundo imaginário ainda mais espesso que as impedem de ir atrás do toque de pele real, de um sado forte e bem feito, de novas experiências sexuais de verdade.

A arte serve para inspirar, para dar novas ideias, mudar quem somos, dar coragem para ações inéditas em nossa história pessoal. Se a cultuamos ela lá nós aqui, pouco proveito tiramos. Ficar dando gritinhos pelos atores, e ter um Christian Grey apenas na imaginação, torna a vida ainda mais pobre do que era antes, pois pode fazer com que o que acontece conosco pareça menos interessante do que acontece nos livros. O contraste fica opressor e a pessoa parte para o culto abnegado daquilo que é só sonho para ela, esquecendo-se de ações práticas que poderiam levá-la a ter uma vida mais “perigosa”, excitante. Vira fuga ao invés de deleite.

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Claro, é muito gostoso amar os livros, o cinema e seus belos atores. Não falaria mal disso. Mas quero que percebamos aquela atitude mais covardona, que nos fecha ao invés de abrir, que faz  sonhar  alto com uma história excitante e não tenta trazer nada para nossa vida real, como experiência possível, concreta.

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Esse texto é só um pequeno alerta para esse tipo de atitude. Devemos estar sempre atentos para não cultuar histórias alheias, ficar feliz porque outros fazem. Façamo-nos nós, safadamente ousados, intrépidos, invencíveis. Concretizem a ficção e não ficcionalizem suas vidas.

Gritinhos reais…

About The Author

Sou um cara que ama criatividade em todos os setores da vida, principalmente no sexo. Sempre pronto pra inventar e experimentar coisas inusitadas, quebrar padrões e expandir a realidade. Tudo junto do amor da minha vida, porque só assim que tem graça.

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