Alfred Kinsey era um desses nerds super inteligentes e fechados em seu próprio mundo que se ocupam de coisas que são somente interessantes para eles mesmos. Era um biólogo absolutamente imerso no universo das vespas. Coletou apenas 7,5 milhões delas para estudo (fazem parte até hoje do acervo do Museu de História Natural de Nova Iorque). O que o fascinava era que nenhuma delas era exatamente igual. Sempre havia variações e individualidades únicas em cada uma delas. Não existe uma vespa igual a outra… Bom, grande coisa certo? E daí? imtttages kinsey family kinsey kinsey kinsey_scale_0_sorry_girls_shirts-r88185aedf3824c798eaa84643d742952_8nhmi_512 tumblr_inline_n0whmiot8h1r7x93l

Ninguém comprava seus livros sobre o assunto, mas era a gênese de algo muito mais interessante para nós que viria a seguir nos estudos de Kinsey.

O nerd conseguiu casar com uma doce mulher que fingia interessar-se pelas vespas do marido. E disso surgiu um fato insólito que fez com que outro mundo se abrisse para Kinsey. Na primeira noite de relação sexual dos dois, sua esposa sentiu uma dor imensa durante a penetração. E durante semanas a coisa se repetia, ela sentia um desconforto horrível e nenhum dos dois tinha prazer. Ela até chegou a dizer: “algumas pessoas não são feitas para ficar juntas Alfred”.  Kinsey não se conformou e decidiu procurar ajuda. Através do médico que procuraram (o casal era um tanto inexperiente em assuntos sexuais) descobriu que Kinsey era extremamente bem dotado e sua esposa um tanto pequena. Para o assombro dos dois que sempre tentavam transar na mesma posição, o médico revelou que existiam muitas outras para experimentar, até que encontrassem uma que fosse confortável e prazerosa para os dois. Kinsey nunca mais foi o mesmo.

A mente científica do nerd começou a borbulhar de ideias. Meu Deus, havia vários tamanhos de pênis, de vaginas… as pessoas devem ter mil histórias sexuais e problemas únicos. Resumindo, os seres humanos viraram vespas na cabeça dele. O foco do estudo mudou.

Além de passar a conseguir “encaixar-se” melhor com sua esposa através de posições recém descobertas, Kinsey decobriu também um novo campo de estudos muito pouco explorado e dessa forma encaixou-se também muito melhor na sociedade, tão necessitada dessas informações que estava. As pessoas não mais olhariam para seus estudos como olhavam para o das vespas.

Kinsey começou a usar um método para entrevistar pessoas e saber tudo de seus comportamentos sexuais.  Não só fazia perguntas como examinava a pessoa fisiologicamente. Incrível sua coragem e determinação, pois falar da própria vida sexual era, e ainda é, um tabu imenso.  Mas insistia com as pessoas, seu interesse era muito maior que seu bom senso. Até em bares gays ele se meteu para saber do comportamento de seus frequentadores. Chegava na maior cara de pau sem nunca ter visto a pessoa e já saía perguntando tudo sobre a intimidade.

Foi no meio dessas pesquisas que Kinsey se descobriu bissexual. Como viajava bastante com seu assessor Clyde Martin, entrevistando pessoas pelos Estados Unidos todo, uma certa noite no hotel a coisa rolou. Honesto e prático que era, logo contou a sua esposa que ficou chocada. Mas não por muito tempo.

Como os estudos sobre sexo era o principal assunto de Kinsey e sua família, obsecado que ele era pela coisa, parece que a própria vida sexual deles foi se transformando, perdendo preconceitos e limites. Tudo era falado, exposto, comentado e assimilado. Nada mais parecia absurdo ou impossível depois de ouvir tantos casos. O parceiro homossexual de Kinsey passou a conviver muito bem com sua esposa depois do choque inicial dela. Frequentava a casa do casal sem problema algum. E ainda por cima, o dia chegou em que Clyde disse para a esposa de Kinsey que sentia falta de mulheres e gostaria de dormir com ela! E Kinsey permitiu… um triângulo amoroso pouquíssimo convencional se formou.

Foi nessa época que Kinsey criou a sua escala de medição de comportamento e desejo sexual que ficou conhecida como “Escala Kinsey” , até hoje muito famosa (existem até camisetas com ela). Ela é dividida de 1 a 6, 1 sendo alguém que é absolutamente heterossexual,  sem nenhuma inclinação para homo, 3 sendo alguém bissexual e 6 sendo alguém totalmente homossexual , sem nenhuma inclinação para a heterossexualidade. Os números no meio dos extremos (2 e 5) são pessoas que tem inclinações reais para um ou outro.  A escala é vista apenas como uma base e não algo absoluto, inclusive podendo ir variando para cima ou para baixo ao longo da vida.

Kinsey estudava coisas como: tempo para chegar ao orgasmo, frequência de relações sexuais baseadas em cor, idade, grupo social, religião… frequência de masturbação, infidelidade, fantasias e muito mais. Comparava dados e chegava a conclusões interessantes. Entrevistou mais ou menos 6 mil homens e 6 mil mulheres. Lançou um livro sobre o comportamento sexual deles e 5 anos depois, delas.

Numa das entrevistas encontrou um monstro sexual que já havia transado com mais de 9 mil pessoas e 22 espécies diferentes de animais. Entre essas 9 mil, 383 meninos e 280 meninas pré adolescentes. O homem ainda conseguia se masturbando, começando com o pênis ainda absolutamente mole, atingir o orgasmo em 10 segundos, coisa que Kinsey achava ser fisiologicamente impossível.  Mas o homem provou na sua frente que conseguia.

Vale citar como Kinsey foi perseguido pelas pessoas mais tradicionais que não suportavam ouvir se falar de sexo tão claramente assim, como se fosse um outro assunto qualquer. Perdeu patrocínios e teve que enfrentar inúmeros processos judiciais. Era pessoa non grata em certos círculos sociais. Nada o fez parar.

Como Kinsey tinha uma mente muito científica, fazia o que tinha que fazer sem as vezes levar em conta o sentimento das pessoas e foi alertado por amigos para isso. O sexo não é só sexo muitas vezes. Carrega com ele uma bagagem incrível de sentimentos, medos e neuras. Como não poderia ser diferente, as pesquisas incomodaram e perturbaram muita gente. Nem todos estão preparados para ouvir a verdade.

Como no caso das vespas, Kinsey descobriu o óbvio, não existe um ser humano igual ao outro. E essa conclusão tão bobinha deve ser lembrada sempre para respeitar aquilo que cada um é, que nunca corresponde a modelo algum que possa existir ou se esperar.

Todos perguntavam a Kinsey depois das entrevistas, se aquilo que faziam ou desejavam sexualmente era “normal”. Ele ensinou a todos que o normal não existe. Somos infinitamente únicos.  Seus livros libertaram muitas pessoas dos modelos pré-fixados de como se deve ser. Muitos foram os que obtiveram força para ser quem eram e não negaram mais seus impulsos.

Ter a coragem de ser quem você é, sexualmente, socialmente e filosoficamente. Não precisa ter alguém igual ou parecido para legitimar e justificar aquilo que você é.

No filme sobre Kinsey, com Liam Neeson, o final é muito bonito. Apesar de ser uma casal muito liberal e aberto, Kinsey por fim mostra que o amor é o mais importante. Faz uma metáfora com uma árvore, insinuando que ter raízes sólidas em um só lugar a faz forte. Foi o jeito de ele dizer a sua esposa que a amava. Que o amor nos define muito mais que os desejos sexuais.

O Instituto Kinsey conta com uma valiosa coleção de brinquedos eróticos antigos, confira o vídeo:

www.youtube.com/watch?v=2SMoPplInb4

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Sou um cara que ama criatividade em todos os setores da vida, principalmente no sexo. Sempre pronto pra inventar e experimentar coisas inusitadas, quebrar padrões e expandir a realidade. Tudo junto do amor da minha vida, porque só assim que tem graça.

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