O conceito iLOVER é fruto de uma enorme bagagem de aprendizado da humanidade, séculos e séculos de experiências sociais, algumas legítimas, muitas impostas e outras tantas advindas simplesmente da falta de opção.

Somos altamente privilegiados de poder observar toda essa densa e convulsa história humana, com todos os detalhes possíveis, disponíveis tão facilmente em qualquer lugar hoje em dia para pesquisa, para então optar e criar uma nova forma de interação social. Não aprender com os erros e acertos do passado para encontrar um caminho mais moderno e interessante, que em suma nos dê muito mais felicidade, é jogar no lixo uma oportunidade maravilhosa, é correr o risco de seguir as mesmas fórmulas carcomidas que já estão mais do que provadas que não funcionam. E estamos falando aqui da sua vida, da sua chance de ter uma existência exuberante ou uma terrivelmente monótona, clichê. Só não uso a famosa frase “a vida é só uma, tem que aproveitar…” porque acredito que continuamos após a morte, e teremos muitas outras vidas… Mas, o que acredito mais ainda é na felicidade já, agora, nesse instante, usando toda nossa inteligência e a sensibilidade para achar os meios de como fazer isso….

Não ser feliz por preguiça de pensar e agir diferente, por falta de ousadia para sair do pensamento de massa, por deixar ser levado por um modo de viver que simplesmente te carrega, porque o mar indistinto de condicionados que o fazem te afoga… vemos isso todos os dias, milhões na mesma situação, e aí parece que a única solução para suportar essa traição a si mesmo são os antidepressivos, porque realmente é uma vida que merece a depressão.

Iniciamos a vida assim, achando que as coisas que estão aí são o que são, e só nos resta seguir tudo da melhor maneira possível. As profissões possíveis estão perfiladas bonitinhas uma a uma, e você sente uma incrível liberdade de poder optar entre elas…São as disponíveis, alguém as criou bem antes de você nascer, mas de alguma forma parecem ser tudo o que existe, e isso te atrai.  “Em alguma você tem que se encaixar diz o conselheiro vocacional…” E aí você escolhe uma, seu perfil parece que encaixa melhor nessa. Mas os anos vão passando e você sente que pra encaixar realmente naquilo, partes grandes e importantes de você tiveram que ser decepadas, postas de lado. Você realmente se encaixou na sua vida profissional, o problema é que era pra ser o contrário, ela que deveria ter encaixado em você. A formatação de sua personalidade, de seus desejos, de sua vontade, do seu jeito de ser, para algo que não lhe é natural, inicia um longo e doloroso processo que acaba se entendendo por toda vida. O seu eu verdadeiro não só foi diminuído, mas foi impedido de crescer, de expandir, de saber o que poderia vir a ser.

O casamento tradicional é a segunda e mais dolorosa dessas terríveis formatações. “Em alguma dessas pessoas você tem que se encaixar”, diria o conselheiro matrimonial. Você sente uma enorme liberdade de não viver numa época de casamentos arranjados, e dentre as milhares de opções de tamanho, cor, textura, inteligência, cultura e sensibilidade você escolhe uma que parece ser onde sua personalidade mais se encaixa, ou seja, você diz que ama essa criatura. Bom, você já desconfia que isso não vai dar certo. Mais partes suas são arrancadas. Aqui não cabe dizer que não era você que deveria ter se encaixado no outro, mas o outro em você… Afinal estamos falando de pessoas, de seres sencientes que querem e merecem a mesma felicidade. Mas a relação se complica na medida em que agora temos dois amputados tentando demonstrar que estão inteiros. A expansão natural da pessoa mais uma vez é bloqueada por uma vontade de agradar, de caber dentro daquele paradigma… mais uma vez, além de se mutilar, a pessoa jamais saberá o que poderia vir a ser, as amarras impositivas cessaram os crescimento. Você agora é só um toquinho irreconhecível, sem pernas, sem braços, um olhar sem brilho.

Nossa sexualidade é incrivelmente comprometida dentro de tudo isso, porque já foi decidido como tudo deve ser. As regras do jogo foram apresentadas e você disse “sim”. Você deixou de ser quem é e poderia vir a ser, pra ser aquilo que achou que devia ser. Guardem bem essa frase. Experimentar o novo passou a existir como conceito só para um produto de limpeza novo ou um restaurante mais afastado. Esse é o grau de ousadia que sobrou pra você.

O casamento como instituição falhou totalmente. O cotidiano matou o amor, matou o tesão. Aceitamos um modelo onde a criatividade e a expansão não fazem parte. Cumprimos apenas um papel que não estimula um ao outro. A vida profissional também escolhida de maneira errada nos faz chegar no fim do dia com uma sensação de tempo perdido… Um erro se multiplica ao outro deixando tudo exponencialmente mais turvo e complicado. A única novidade dentro disso, o único arzinho possível de ser respirado nessa sufocação toda, passa a ser a traição, a velha pulada de cerca que também, já estamos agora cansados de saber, só trás mais angústia, tristeza e mentiras mil, o fim do amor.

Os que se acham mais moderninhos correriam aqui para gritar: o ser humano não é monogâmico, não adianta forçar… Bem, ocorre que isso também já está muito ultrapassado. Temos a oportunidade valiosa de perceber hoje em dia, através de milhares de exemplos a serem estudados, que as pessoas que decidiram viver em relacionamentos abertos e livres, ou mesmo os libertinos totais, sem a opressão do romantismo da alma gêmea, também não são felizes. Eles podem até vir a ter momentos muito felizes dentro dessas opções, assim como o casamento também têm, não há dúvida, mas a longo prazo, existe uma falha estrutural muito séria que não demora a aparecer.

Que falha é essa dos abertamente livres? A solidão é imensa. Parece um paradoxo, alguém capaz de relacionar-se com centenas de pessoas, acaba se diluindo em todas elas e perdendo seu próprio senso de eu. No fim do dia, necessitamos claramente daquela pessoa que é quase como um espelho para nós, que nos substancia, onde nos vemos refletidos em seu olhar, a que construímos uma longa história juntos. Jamais conseguimos escapar da vontade de saborear o deleite que é ser amado verdadeiramente de forma especial, de ser tudo para uma pessoa e ela tudo para nós.

E vemos muitos casais que chegaram a esse amor verdadeiro, deixando essa magia escapar, terminando relações que tinham tudo para se perpetuarem até a morte. Eles já tinham se encontrado, faltava o mais fácil, que era permitir a expansão natural dos dois, mas os medos, os condicionamentos da sociedade, mataram todo esse potencial, e a coisa implodiu, a energia virou-se contra si mesma até os dois não aguentarem mais.

Então o que fazer? Invejamos a liberdade dos libertinos e invejamos o amor dos românticos. Como pode ser? Existe uma solução para esse dilema?

Solução é sempre algo final, absoluto. A vida não é assim, ela sempre flui com novas situações e novos problemas, portanto, quem procura solução está sempre se enganando.   Dito isso, a nova experiência do momento, nossa nova chance de felicidade, a grande ideia e oportunidade nova de interação social para nossa era, a que vivemos agora, frente a tudo o que falamos aqui e que aprendemos com os séculos atrás de nós, é a filosofia iLOVER.

Ufa, depois de toda essa introdução, posso agora dizer do que se trata esse novo modo de ser e agir. Sem todo esse preparo inicial, ficaria difícil entender a nova opção que se apresenta.

Pois bem, o iLOVER é aquela pessoa que tem como centro de sua vida, seu companheiro/a. Ele entende que a felicidade e o sentimento de completude vem dessa união. Que somos intrinsecamente monogâmicos.Tudo sempre partirá daí. Compartilhar tudo com alguém que realmente importa.  Aquela pessoa certa é sua casa, o núcleo por onde tudo se expande. E expandir é a palavra chave desse novo relacionamento. A inteligência e a experiência superior do iLOVER, permite entender que é dando liberdade para a ocorrência do novo que a expansão ocorre, e não a fuga ao cotidiano conhecido, pra ficar seguro, atitude essa que é o grande perigo, a que destrói tudo. Ele evita repetir os passos convencionais da sociedade a todo custo, pois já sabe onde vão dar. Criatividade e impulso ao inusitado são a alma da relação.

 Sexualmente, parte tão essencial de tudo, o iLOVER ousa muito mais que o ser normal.

Acredita tanto em seu relacionamento, que não existe o medo de perder, e isso muda tudo. Ele não mais tem medo de ouvir de sua parceira aquilo que se passa em sua cabeça, seus tesões e taras mais escondidas. Pelo contrário, ele não só ouve como encoraja, a quer plena, doida, ousada. O companheiro é um suporte firme para que o outro possa aventurar-se, fornece coragem, proteção, apoio… E não o que era antes nos amores antiquados, aquele que poda, que corta os desejos no outro ou os impede de florescer. A cumplicidade então passa ser total, podemos pensar alto. Não há nada para esconder. O prazer do outro é nosso também. Transar com outras pessoas passa a ser uma possibilidade real e excitante, e não abala absolutamente em nada a relação, pelo contrário, só fortalece. Fazendo isso não deixamos de ser monogâmicos. Não é o sexo que define se alguém deixou de ser monogâmico ou não, mas a mentira ou a falta de cumplicidade, o desamor. Feito junto, de maneira onde os dois tem prazer, as opções sexuais são infinitas. A expansão na vida dos dois é uma constante, e a relação é sempre nova e fresca. Cumplicidade exige coragem, maturidade. E não existe nada mais delicioso que a perversão a dois. Esse é e sempre será o tema central de nosso blog, e a filosofia dos iLOVERS.

 Mas o iLOVER não tem interesse em práticas sexuais onde um dos dois não sente tesão. Eles procuram sempre chegar a um consenso, porque o prazer do outro é essencial para o prazer em si mesmo. Mas como não há medo de perder, de fazer algo errado aos olhos do parceiro, as possibilidades se ampliam ao infinito. Sentindo prazer em ver a amada ter prazer, e sem medo de perder nada, pois o núcleo do amor é infinitamente sólido, tudo pode acontecer. E nesse relacionamento ousado e sempre imprevisível, o mofo não tem vez, a ferrugem não se instala, o movimento pra frente é constante. A criatividade é a força motriz que mantém para sempre o amor intacto. Mas nunca se perde o entendimento que a felicidade dos dois, igualitária, é o que importa. Portanto a criatividade do iLOVER jamais agride, jamais vem para agradar um à custa do outro. Ela deverá vir sempre como algo que une ainda mais, mesmo que expandindo a lugares novos. Dá para esticar o possível como a um elástico, mas com as mãos de nosso amor segurando as extremidades até onde lhe é confortável, senão somos arremessados ao nada.  O óbvio é verdadeiro: as pessoas mais livres podem experimentar muita coisa, mas não tudo o que existe. Muitas coisas simplesmente não fazem parte de nós, não temos nenhuma vontade e não há obrigação alguma de fazer. Essa liberdade que falamos jamais pode ser como a outra, a falsa, aquela que nos decepa para nos encaixar. Jamais se submeta ao que não faz parte de você. Mas sempre analise se realmente não faz parte ou é o medo que te impede. Mergulhe em você mesmo e sempre questione. Por experiência própria apenas posso afirmar que não nos conhecemos totalmente nunca. Descobrimos desejos e características novas a cada dia quando a mente perde o freio do medo. Tudo são possibilidades para a mente ousada e destemida.

  O iLOVER  não faz nada para agradar a sociedade ou aos contrários à sociedade, não cumpre nenhum dever moral ou amoral, escapa de qualquer condicionamento antiquado ou libertino. Ele não sente nenhuma vontade de trair, pois pode ser quem é o tempo todo com quem ama. As duas mentes são uma só. Não tem vergonha de amar profundamente e demonstrar.    

  O iLOVER tem a genialidade de mesclar poesia e perversão em doses certas, nos momentos certos. Uma hora pode encher sua companheira de elogios poéticos e charmosos, em outra chamá-la de putinha, de suja, de promíscua. Dessa tensão entre opostos, esse desvio súbito de conduta, contraste de um extremo ao outro feito sem que se espere, surge o poder irresistível do estilo de vida iLOVER. O susto é um afrodisíaco sem igual, o movimento e a incerteza entre o nobre e o cafajeste insuperável. Subir e descer entre os píncaros da beleza romântica para as baixarias da devassidão desenfreada é o movimento preferido do iLOVER… seu gôzo maior vem desse vai e vem. O profano e o sagrado, o degradante e o engrandecedor. Toda mulher é meio santa e delicada, toda mulher é meio agressiva e vagabunda… o mesmo para os homens.

 O iLOVER  jamais transa longe de sua esposa. É como viajar sem ela, ou fazer qualquer coisa por prazer que seja sem ela.

Não tem graça. O prazer vem de saber que aquilo que nos dá prazer também dá ao outro. Sem ter a pessoa mais importante de sua vida para viver aquilo junto, não faz sentido, não há necessidade. O maior prazer do iLOVER é compartilhar com esse alguém que realmente importa. Relacionamentos abertos, onde o outro precisa ficar sozinho com outra pessoa, não faz parte desse menu, não faz sentido na vida de um iLOVER.

 Até o centro da vida profissional para o iLOVER é o companheiro, o cônjuge. Somos felizes profissionalmente se aquela profissão nos aproxima ainda mais de nosso verdadeiro amor. Trabalhar juntos é uma opção valiosa para os iLOVER. Passar mais tempo juntos é o que mais pesa nas decisões profissionais. O amor fala mais alto do que qualquer outra coisa. As escolhas são para a felicidade mútua, sempre. Com as facilidades de comunicação hoje em dia, as formas de se trabalhar em casa ou viajando com o companheiro são inúmeras. É a partir daí que o casal programa seu destino, com muito mais liberdade de ação, focados sempre na expansão e enriquecimento da relação a dois. As profissões que afastam, que estressam e que tomam tempo em demasia cansando demais, são contrárias a uma vida iLOVER e por isso a todo custo devemos evitá-las. A criatividade no trabalho aqui também é essencial e repercute totalmente na vida amorosa.

 Porque esse termo iLOVER? Por vários motivos. Nunca o ser humano foi tão conectado com outras pessoas, realidades e a tanta informação. Nossa vida se expandiu de forma absurda. Somos milhares de corpos e pensamentos simultâneos. Temos acesso a tudo. Essas infinitas possibilidades tornam-se nauseantes e desesperadoras para quem não tem um núcleo, um amor verdadeiro, um centro, o que dá equilíbrio e sustentação. Mas ao mesmo tempo ninguém pode mais deixar de fluir e voar com o dinamismo infinito de possibilidades que esse novo mundo oferece. Dessas necessidades opostas surge o iLOVER, que aproveita as duas como se fossem uma só. Conexão ao todo com conexão real total a um só. Um indivíduo que acha seu centro, seu amor, e a partir disso aproveita todas as possibilidades de prazer sexuais, profissionais e de modos diferentes de vida que o mundo oferece. O casal iLOVER curte esse infinito juntos, pois são o finito palpável um para o outro, um corpo real com começo e fim, um amor que tem calor e aconchego, aquilo que impede nossa dissolução nesse redemoinho vertiginoso e infinito de tudo ao mesmo tempo.

O sexo e o amor criativo passam a ser o cotidiano do casal, um cotidiano paradoxal, pois a única repetição é a não repetição, a constante novidade. Os dois se conectam juntos ao universo, de mãos dadas. O nível de informação que os dois podem coletar dessa conexão é infinita, podendo trazer novidades e possibilidades novas para experimentar todos os dias, nunca deixando a vida cair no comum. Um vibrador diferente, um brinquedo sexual novo, uma viagem, uma aventura, um corpo gostoso de outra pra curtir juntos… tanta coisa a ser descoberta. Não há mais desculpa. Na internet, podemos aprender com outros casais, como fazem para expandir, o que criam, assim como esse blog faz e aquilo que vocês contarão. Ajudamos uns aos outros a crescer e manter nossas relações. O iLOVER é o ser informado por natureza, sempre antenado, interessado em surpreender seu parceiro. É preciso o mesmo empenho que um artista tem para criar uma obra prima, e não empurrar com a barriga fazendo o trivial sem inspiração, para ter uma vida a dois satisfatória e plena, criativa.

  Somos os dois, monogâmicos e poligâmicos. Precisamos de centro e precisamos de expansão, de segurança e de aventura, de esposa e de amantes. Mas os amantes aqui são sempre pela frente, juntos ao centro. A mentira perdeu o sentido. A vida profissional não é mais egóica, é feita também para os dois. Somos mais românticos que nunca e mais pervertidos que nunca. O ultra romantismo que desemboca na ultra perversão, a ultra perversão que desemboca no ultra romantismo, e tudo dá a volta e recomeça, pelo meio, pelo fim, pelo começo. Descobrimos o deleite do paradoxo, o tesão do contrassenso, a poesia do insulto.

 Mesclar a luxúria com a beleza foi o pecado a que nos propusemos, com toda a conexão e informação que nos é possível. Todo esse blog é sobre essa experiência… o mundo dos iLOVERS.

 P.S. Se por um lado com muita dificuldade tentei explicar a filosofia do iLOVER, algo um tanto quanto inexplicável, poderia anular absolutamente tudo e só dizer que o iLOVER se nega a qualquer comportamento pré-programado, ou leis a se seguir, mesmo que sejam leis de como ser mais livre. Portanto, “filosofia” iLOVER já é uma bobagem em si.   O casal iLOVER não sente a obrigação nem mesmo de ousar o tempo todo, de ser um iLOVER… não há regras ou modus operandi, apenas age-se ante a qualquer vontade espontânea que possa surgir a qualquer momento, de fazer isso ou aquilo, ou de nada fazer. Sem modelos, sem obrigações…

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About The Author

Sou um cara que ama criatividade em todos os setores da vida, principalmente no sexo. Sempre pronto pra inventar e experimentar coisas inusitadas, quebrar padrões e expandir a realidade. Tudo junto do amor da minha vida, porque só assim que tem graça.

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